segunda-feira, 24 de abril de 2017

Fixemos o nome de Emmanuel Macron

A primeira volta das eleições presidenciais francesas decorreu ontem e apurou Emmanuel Macron com 23,39% e Marine Le Pen com 22,37% dos votos para disputarem a segunda volta no dia 7 de Maio.
Os principais candidatos derrotados foram François Fillon com 19,94%, Jean-Luc Mélenchon com 19,56% e Benoit Hamon com 6,35%, que já anunciaram o seu apoio a Emmanuel Macron para a segunda volta, por forma a impedir a extrema-direita de chegar ao poder. Assim, não é difícil prever que o candidato Emmanuel Macron de 39 anos de idade, centrista, liberal, europeísta e sem partido, será o futuro Presidente da França. Antigo ministro da Economia do Presidente François Hollande, Macron afirmou não ser de esquerda nem de direita, tendo criado o movimento En Marche! para o apoiar na sua campanha eleitoral, em que defendeu uma maior integração e uma maior coesão europeias.
O jornal Le Parisien diz que ele é a “sensation Macron”. O seu discurso é o de uma nova Europa reformada, modernizada e reajustada aos novos tempos e aos novos desafios. Os franceses dirão no dia 7 de Maio qual o grau de confiança que depositam neste jovem para dirigir a França num contexto nacional e internacional muito complexo, mas que parece inspirar muita confiança num eleitorado já cansado das promessas dos velhos partidos. Provavelmente, a Europa vai respirar de alívio com a eleição de Emmanuel Macron e talvez seja possível emendar os erros e a burocracia de um passado recente, em que a Europa andou fortemente desgovernada e sem rumo.
Aparentemente Marine Le Pen será derrotada, mas o facto de disputar a segunda volta eleitoral dá-lhe um estatuto mais alto na hierarquia política francesa e isso vai ser um sinal preocupante, pois as ideias extremistas e anti-europeias da sua Frente Nacional também passam a ter maior estatuto nacional. Daí que a luta entre os ideais de Macron e de Le Pen não termine no dia 7 de Maio, até porque quase metade do eleitorado escolheu candidatos que se afirmaram contra a União Europeia.

domingo, 23 de abril de 2017

Um grande jornal em Belo Horizonte

O Estado de Minas é um diário que se publica em Belo Horizonte, a capital do Estado de Minas Gerais, sendo considerado o grande jornal dos mineiros e um dos jornais de referência brasileiros. Na sua edição de hoje, o jornal destaca três temas de grande interesse cultural e político. Como tema principal, o jornal reproduz a imagem do Guernica de Pablo Picasso quando se estão a celebrar 80 anos sobre esse famoso quadro, que deixou de representar o ataque da aviação alemã sobre a cidade basca de Guernica no dia 26 de Abril de 1937, para se tornar o símbolo dos horrores de todas as guerras.
Depois, o jornal faz um balanço do valor que o Brasil perdeu com a “montanha de propinas” que a Odebrecht destinou a políticos de 26 partidos e calcula que esse valor atingiu dez mil milhões de reais que, ao câmbio actual, representa cerca de três mil milhões de euros. É muito dinheiro e, segundo afirma o próprio título do jornal, o Brasil não só perdeu esse dinheiro, como também perdeu a vergonha na cara. De facto, esse dinheiro resolveria muitos problemas na saúde, na educação e nas infraestuturas, para além de atenuar muitos problemas sociais. Sabe-se que a corrupção existe em maior ou menor escala em todo o mundo, mas parecia impensável que tivesse uma dimensão destas num país democrático e civilizado.
O jornal ainda chama à sua primeira página um assunto muito interessante que mostra a força da sociedade civil organizada. Acontece que o Edifício Niemeyer, projectado por Oscar Niemeyer e localizado na Praça da Liberdade em Belo Horizonte, está classificado como património municipal, estadual e federal, mas encontrava-se muito deteriorado pelo tempo. A aguardada reparação que deveria ser feita pelos poderes públicos em nome da preservação do património, demorava. Então, os moradores do edifício uniram-se e decidiram custear a sua reabilitação, sem esperarem pela intervenção pública. É uma lição para aqueles que, em toda a parte, se julgam com direito a que o Estado lhes faça tudo.

sábado, 22 de abril de 2017

Donald & Kim: brincadeiras de meninos

No moderno processo de comunicação existe um agente emissor que emite uma mensagem para um ou mais receptores, sendo essa mensagem codificada de acordo com certos critérios e que pode utilizar sons, filmes, textos, fotografias, imagens, caricaturas e outras formas de expressão. A imprensa utiliza sobretudo textos e imagens para codificar as suas mensagens, mas por vezea também utiliza a caricatura. A caricatura é um desenho de um ou mais personagens ou de uma situação da vida real, em que são enfatizados e exagerados alguns aspectos pessoais ou da situação visada, tornando-a humorística e apelativa para a compreensão dos receptores. A caricatura distorce a realidade, mas uma boa caricatura pode captar aspectos das pessoas ou das situações, pelo que os jornais a utilizam com muita frequência para chamar a atenção e despertar o interesse dos seus leitores.
A revista alemã Der Spiegel utiliza muitas vezes a caricatura para ilustrar as suas capas e, nos últimos tempos, tem-se destacado na utilização da caricatura para retratar as frequentes manifestações de arrogância do Presidente dos Estados Unidos. Assim acontece na sua mais recente capa em que apresenta Donald Trump e Kim Jong-un como meninos de fraldas, sentados numa ogiva nuclear a parecer “brincar às guerras”, como se isso não significasse o risco de um conflito nuclear. Essa “brincadeira” acentuou-se nas últimas semanas porque, depois de ter realizado dois testes nucleares no ano passado, a Coreia do Norte anunciou que poderia realizar um teste nuclear e ensaiar novos mísseis balísticos capazes de atingir o território americano. Donald Trump não gostou e levantou a voz, decidindo enviar uma poderosa força naval para a região. A tensão cresceu de imediato, até porque Kim Jong-un não se calou. Por isso, como diz o Der Spiegel, tenham cuidado com as brincadeiras.

sexta-feira, 21 de abril de 2017

Venezuela: hasta cuándo?

A Venezuela está a atravessar um período de grande perturbação política, com protestos e confrontos mais ou menos diários, em que a oposição da Mesa da Unidade Democrática (MUD) liderada nas ruas por Henrique Capriles, o governador do estado de Miranda e ex-candidato presidencial, contesta a presidência de Nicolás Maduro e a política chavista representada pelo Partido Socialista Unido da Venezuela (PSUV).
A crise política e a luta contra a chamada revolução bolivariana, o modelo socialista adoptado por Hugo Chávez, não é nova. Em 2014 houve violentos confrontos e morreram 43 pessoas durante uma crise semelhante à actual, enquanto nas últimas semanas já foram contabilizados oito mortos, mais de uma centena de feridos e quase seis centenas de detidos. Naturalmente, a questão económica é relevante porque o país depende excessivamente do petróleo e das oscilações do seu preço que tem estado em baixa no mercado internacional, o que não tem sido nada favorável à Venezuela. Directa ou indirectamente a população sofre os efeitos da crise.
No quadro das instituições venezuelanas a Assembleia Nacional perdeu poderes e a luta política está nas ruas. A instabilidade é enorme e, segundo muitos observadores, pode resvalar para uma guerra civil, até porque são evidentes as intromissões estrangeiras no conflito venezuelano. Neste ambiente de incerteza e de inquietação, o diário colombiano El Universal faz uma pergunta com duplo sentido: Venezuela: hasta cuándo?
A numerosa comunidade portuguesa da Venezuela que totaliza cerca de 550 mil pessoas e que representa quase 2% da população venezuelana, olha com angústia e cepticismo para evolução do país. Hoje, o jornal i anunciava que “o governo português diz que tem barcos e aviões prontos para ir resgatar portugueses”. Esperemos que não seja necessário e que a Venezuela se acalme e resolva os seus problemas.

quinta-feira, 20 de abril de 2017

As velas brasileiras de visita à Europa

Nos últimos tempos não têm sido animadoras as notícias que nos chegam do Brasil, sobretudo depois daquela aparente precipitação que foi a destituição da Presidente Dilma Rousseff. Foi a partir daí que se acentuaram as notícias sobre a operação Lava-jato, sobre a crise económica e social, sobre a insegurança em algumas cidades e até sobre a persistente permanência do futebol brasileiro num inesperado patamar de quase vulgaridade. A leitura da imprensa brasileira raramente tem notícias animadoras, embora isso aconteça em toda a parte quando ciclicamente se atravessam as situações de depressão ou de crise.
Porém, apesar desta tendência depressiva, também há boas notícias. Hoje, por exemplo, o diário O Liberal da cidade de Belém destaca a visita da galera Cisne Branco, um veleiro da Marinha do Brasil, com uma fotografia de primeira página. A notícia refere que o navio iniciou no passado dia 2 de Abril no Rio de Janeiro uma viagem com a duração de cerca de seis meses baptizada como “Europa 2017”. Quando, no dia 14 de Outubro, regressar ao Brasil, o navio terá visitado 18 portos de 12 países, incluindo Lisboa e Ponta Delgada. O veleiro de 76 metros de comprimento foi construído em Amsterdão e foi incorporado na Marinha brasileira em Fevereiro de 2000 e é, naturalmente, um símbolo do Brasil e da sua Marinha, sendo-lhe atribuídas missões de representação nacional em eventos náuticos internacionais, de apoio à diplomacia brasileira, de preservação da memória histórica do país e, ocasionalmente, de instrução de jovens cadetes da Marinha brasileira.
A imagem de um veleiro como o Cisne Branco tem sempre uma faceta estimulante e de desafio. Se antes era o desafio e a aventura pelos mares desconhecidos e pelas grandes viagens, hoje é o desafio do progresso e da preservação do património comum que são os oceanos, isto é, duas causas bem estimulantes de que os brasileiros certamente comungam.

quarta-feira, 19 de abril de 2017

As alegrias que o Ronaldo nos vai dando

O futebolista Cristiano Ronaldo jogou ontem pelo Real Madrid contra o Bayern de Munique no jogo da segunda mão do apuramento para as meias-finais da Liga dos Campeões e marcou três golos. Na semana passada Ronaldo tinha marcado dois golos à mesma equipa e, portanto, o Bayern e o seu famoso guarda-redes encaixaram cinco golos marcados por Ronaldo. É obra. O orgulho alemão tem, certamente, muita dificuldade para digerir a humilhação a que foi sujeito por um futebolista madeirense. Na passada semana ele já tinha cometido a proeza de chegar aos 100 golos nas provas europeias, mas ontem tornou-se o primeiro futebolista a alcançar 100 golos na Liga dos Campeões. Um jornal que destaca a proeza de Cristiano Ronaldo vai ao pormenor de nos revelar que desses 100 golos na Liga dos Campeões, houve 69 obtidos com o pé direito, 14 com o pé esquerdo e 17 com a cabeça... Tudo medido e conferido ao pormenor.
O jornal A Bola, que a tribo lusitana do futebol consagrou como a verdadeira "Bíblia", esqueceu por umas horas os calores do Sporting-Benfica que se aproxima e a necessidade de “vender papel” e, na sua edição de hoje, homenageia Ronaldo, a quem chama o Mister Champions, por ser o primeiro futebolista a chegar aos 100 golos na prova. E fez bem, porque o Ronaldo merece o nosso apreço pelas alegrias que vai dando aos portugueses.
No entanto, esta performance ronaldina que tanto nos entusiasma, não pode ser transposta para outras esferas da nossa vida colectiva, designadamente para a toponímia da nossa geografia ou das nossas infraestruturas. É leviandade, é demagogia e é deslumbramento circunstancial. Mesmo com o apoio dos nossos mais representativos políticos. Ao futebol, apenas o que é do futebol.

terça-feira, 18 de abril de 2017

Moçambique: as pontes e os progressos

O território de Moçambique situa-se na costa oriental africana e estende-se por 2515 quilómetros de extensão, sendo atravessado por alguns importantes rios que, durante muitos anos, dificultaram a ligação entre as diversas regiões do país. A administração colonial apenas construiu nos anos trinta a Ponte Dona Ana, que ainda é a maior ponte ferroviária da África Austral e, já nos anos setenta, a ponte agora chamada Samora Machel, ambas sobre o rio Zambeze.
Com a independência do país e o auxílio internacional, em 2009 foi construída a Ponte Armando Gebuza sobre o rio Zambeze na região de Sofala, em 2010 a Ponte da Unidade sobre o rio Rovuma a ligar Moçambique à Tanzânia e, em 2014, a Ponte Kassuende sobre o rio Zambeze na região de Tete. A geografia do país alterou-se.
A edição de hoje do diário moçambicano O País dá conta do andamento de mais uma grande ponte em Moçambique. Trata-se da nova ponte em construção sobre a baía do Maputo, que se espera fique concluída até ao final do ano e que vai ser  a maior ponte suspensa do continente africano. A nova ponte Maputo-Catembe ligará as margens sul e norte da baía do Maputo e terá uma extensão de 680 metros, para além de 2300 metros de viadutos de acesso, estando a ser financiada e construída pela empresa chinesa China Road and Bridge Corporation.
A nova ponte constituirá um grande benefício para o país e para a sua capital. O seu impacto foi estudado nos seus aspectos económicos e ambientais, nos seus efeitos esperados sobre as actividades portuárias e aeroportuárias e, até, os seus aspectos estéticos foram acautelados, pois a obra vai marcar de forma incontornável a paisagem da capital.

domingo, 16 de abril de 2017

Teimosia de Donald Trump e Kim Jong-un

A propósito do aumento da tensão entre os Estados Unidos de Donald Trump e a Coreia do Norte de Kim Jong-un, muitos jornais têm exibido fotos da força naval em que se integra o porta-aviões USS Carl Vinson a navegar para a península coreana ou do imponente desfile dos mísseis balísticos norte-coreanos na recente parada militar realizada em Pyongyang, por ocasião dos 105 anos do nascimento de Kim Il-sung, o fundador do país. Aviões desenharam o número 105 no céu, enquanto alguns milhares de militares desfilaram e outros tantos milhares de civis saudaram Kim Jong-un. O orgulho e a arrogância norte-coreana até fez lembrar o Iraque de Sadam Hussein nas vésperas da invasão americana de 2003.
Hoje, o jornal The Independent também trata do assunto, mas ilustra-o com uma fotografia muito original do desfile das mulheres das Forças Armadas norte-coreanas.
Os ânimos têm estado muito exaltados entre o fogoso Kim Jong-un de 33 anos de idade e o entusiasmado Donald que em breve perfaz 71, tendo ambos produzido declarações muito perigosas e de uma enorme arrogância. Apesar dos repetidos avisos chineses e russos para que cessem as provocações mútuas, a tensão continua muito alta e já ninguém afasta a possibilidade de um conflito armado na região, embora todos o temam pela sua enorme imprevisibilidade. Enquanto Donald tem repetido que vai resolver o problema da Coreia e tem mobilizado os seus aliados japoneses e sul-coreanos, a Coreia do Norte tomou a iniciativa de realizar mais um ensaio de lançamento de mísseis e ameaça destruir os navios norte-americanos que se aproximam do seu território em caso de qualquer agressão. Donald Trump e Kim Jong-un são muito teimosos e só se deseja que não levem a sua teimosia longe de mais.

sábado, 15 de abril de 2017

Eleições em França e o futuro da Europa

Realiza-se no próximo dia 23 de Abril a 1ª volta das eleições presidenciais francesas e, de acordo com a média das inúmeras sondagens que têm sido feitas, de entre os onze candidatos em luta há quatro que se destacam e estão praticamente empatados nas intenções de voto. Porém, como só dois deles passarão à 2ª volta, o combate político e a caça ao voto estão a animar a França. Hoje, o diário L’Écho Républicain que é publicado em Chartres, destaca na sua primeira página a fotografia desses quatro candidatos: François Fillon (centro direita) com 20%, Emmanuel Macron (centro-esquerda) com 23%, Jean-Luc Mélenchon (esquerda) com 20% e Marine Le Pen (extrema direita) com 22%. Portanto, confrontam-se quatro candidatos para ocupar os dois lugares que disputarão a 2ª volta. Então, segundo as sondagens, o candidato Emmanuel Macron é aquele que tem mais possibilidades de vencer, enquanto a candidata Marine Le Pen perde para qualquer dos outros candidatos.
Nos últimos tempos as sondagens eleitorais, enquanto instrumento de aferição social, têm perdido alguma credibilidade, depois de terem falhado no Reino Unido e nos Estados Unidos. No entanto, no caso francês, as sondagens estão a servir para manter a incerteza quanto ao desfecho eleitoral e, também, quanto ao futuro da França e até da Europa, pois os vários candidatos têm respostas diferentes para a crise generalizada que atravessa a União Europeia e as suas instituições. Daí que as eleições presidenciais francesas sejam muito importantes não só para os franceses e para a grande comunidade portuguesa estabelecida em França, mas também para o futuro da Europa.

sexta-feira, 14 de abril de 2017

Em direcção a Leste, até onde irá Donald?

Donald Trump deu a necessária autorização e, ontem, a bomba GBU-43 (Massive Ordnance Air Blast ou MOAB, uma sigla que também corresponde à expressão Mother of All Bombs, foi lançada sobre um santuário do Daesh na província de Nangarhar, perto da fronteira afegã com o Paquistão, a escassos duzentos quilómetros de Cabul. Trata-se da maior bomba não nuclear alguma vez utilizada no nosso planeta, pois tem 9,2 metros de comprimento e 9,5 toneladas de peso, do qual 8,4 toneladas são explosivos de alta potência. O seu poder destruidor é enorme e manifesta-se num raio de 1500 metros. Como resultado da acção americana as autoridades afegãs anunciaram que a bomba causou a destruição de esconderijos estratégicos e a morte de pelo menos 36 dos seus combatentes, mas o Daesh garantiu não ter sofrido quaisquer baixas. Nesta altura, Donald Trump já deve estar a fazer análises custo-benefício para saber do proveito dos 15 milhões de euros dispendidos, que é o preço da GBU-43.
A imprensa internacional deu um grande destaque a este acontecimento e tratou de o associar à ofensiva comunicacional e militar de Donald Trump que, depois de lançar 59 Tomahawks sobre a Síria, lançou agora a GBU-43 sobre o Afeganistão. Segundo os comentadores, esta acção de Donald Trump destina-se a travar a intenção da Coreia do Norte de proceder a novos ensaios nucleares que, segundo Trump “é um problema” e que, enquanto tal, “tem que ser tratado”. Por seu lado, a Coreia do Norte já prometeu uma "resposta sem piedade" a qualquer provocação dos Estados Unidos. Desta forma, temos os Estados Unidos a retomar as suas antigas aspirações para tomar conta do mundo, com um discurso muito duro e muito ameaçador, mas tanto a Rússia como a China já pediram contenção ao Donald e aos seus falcões.
Hoje o USA Today explica tudo sobre a bomba e diz que ela não foi mais do que uma mensagem. Para quem?

quarta-feira, 12 de abril de 2017

O Brasil treme com a operação Lava Jato

Embora deste lado do Atlântico saibamos pouco sobre o que se passa no Brasil em relação à Operação Lava Jato ou à propina paga pela Petrobras ou aos acordos de  delacção premiada que foram feitos entre a autoridade judicial e os executivos da Odebrecht e de outras grandes empresas, o facto é que de vez em quando somos surpreendidos com as notícias que nos chegam do Brasil. O ministro   Edson Fachin, que é o relator da Operação Lava Jato no Supremo Tribunal Federal, provocou um verdadeiro terramoto político ao dar luz verde para a abertura de processos a dezenas de altas figuras do Estado. 
Hoje, o diário O Globo tal como a generalidade da imprensa brasileira, destacou que a República é que está a ser investigada e que há suspeitas sérias em relação a 8 ministros, 12 governadores, 24 senadores, 37 deputados e 5 antigos Presidentes da República. Estas informações impressionam toda a gente e os brasileiros têm todas as razões para estar preocupados, porque estes números envergonham o Brasil. Parece, então, que as investigações em curso que a Polícia Federal brasileira tem conduzido para apurar os esquemas de generalizada corrupção activa e passiva, de lavagem de dinheiro, de gestão fraudulenta, de recebimento de vantagens indevidas e, de uma forma geral, de enriquecimento ilegal e criminoso, têm uma dimensão transversal por todo o país e neles estão envolvidas as elites brasileiras.
Por aqui, vamos continuar a acompanhar as notícias da Operação Lava Jato para saber se vai ser possível fazer a limpeza a que aspira a sociedade brasileira. Por cá não temos nenhuma Operação Lava Jato, nem nada que se pareça. Aqui não se procura acabar com os males da nossa floresta de vícios e proceder à sua limpeza, porque os nossos sapadores florestais apenas se interessam por uma ou outra árvore de que não gostam e não procuram limpar a floresta.

Saudade e morabeza em Cabo Verde

Depois de já ter visitado Moçambique e o Brasil, o Presidente da República visitou esta semana mais um país lusófono e esteve em Cabo Verde, tendo passado pelas ilhas do Fogo, Santiago e São Vicente, sempre acompanhado por Jorge Carlos Fonseca, o seu homólogo cabo-verdiano e seu amigo de há muitos anos.
Marcelo Rebelo de Sousa fez-se acompanhar por uma alargada comitiva de jornalistas portugueses que deram a conhecer alguns pormenores da visita presidencial, desde o número de pastéis de nata que Marcelo comeu, até ao tempo que nadou na praia defronte do seu hotel, isto é, trataram da espuma da visita. Porém, o semanário Expresso das Ilhas procurou a substância da mesma e reproduziu e analisou as declarações presidenciais.
Numa delas, proferida durante uma recepção realizada a bordo da fragata Álvares Cabral, atracada na cidade da Praia, Marcelo Rebelo de Sousa afirmou que “Cabo Verde é para Portugal uma aposta prioritária e sabemos que Portugal é para Cabo Verde uma aposta prioritária”, afirmando ainda que “Cabo Verde é o país irmão que se confunde com o nosso, de tal forma que não sabemos em Cabo Verde quem é cabo-verdiano e quem é português e em Portugal quem é português e quem é cabo-verdiano”.
Nessa declaração, Marcelo Rebelo de Sousa utilizou várias vezes a palavra fraternidade. E fez bem. Os portugueses são tratados em Cabo Verde como irmãos e os cabo-verdianos gostam dos portugueses. O futebol, a música e a cachupa fazem parte do quotidiano luso-cabo-verdiano. Se em Portugal há a saudade, em Cabo Verde há a morabeza, que são palavras difíceis de traduzir mas que representam sentimentos e ajudam a  definir uma identidade. Pois a saudade e a morabeza encontraram-se em Cabo Verde nas pessoas de Marcelo Rebelo de Sousa e de Jorge Carlos Fonseca e, agora, só há que esperar que as relações entre Portugal e Cabo Verde se reforcem ainda mais nos vários domínios de interesse mútuo.

segunda-feira, 10 de abril de 2017

Mísseis americanos a ameaçar Pyongyang

No princípio deste mês de Abril o Presidente Donald Trump deu uma entrevista ao jornal Finantial Times, tendo declarado que os Estados Unidos estavam prontos para agir sozinhos contra a Coreia do Norte para impedir que desenvolvesse o seu programa de armas nucleares, caso a China não aumentasse a pressão contra esse programa norte-coreano.
Algumas horas depois, Trump decidiu lançar 59 mísseis Tomahawk sobre a Síria e, logo de seguida, ordenou que um grupo de ataque que inclui o porta-aviões USS Carl Vinson, dois destroyers e um cruzador equipados com mísseis, avançasse para as águas próximas da Coreia do Norte, como resposta intimidatória aos sucessivos testes de mísseis que têm sido feitos. Este grupo de ataque não é comandado por um almirante, mas por uma almiranta. Isso acontece pela primeira vez, pois Nora Wingfield Tyson comanda a 3ª Esquadra americana desde 2015 e, provavelmente, só espera ordens do seu Presidente para carregar no botão.
Existe alguma apreensão por esta decisão de Donald Trump porque, contrariamente ao que ele sempre disse, parece estar agora a querer impor a vontade americana nos diferentes cenários mundiais, o que custa muito dinheiro e pode conduzir a confrontações de contornos indesejáveis. Será que depois da Síria, o Donald se prepara para atacar o solo norte-coreano? Como foi dito na referida entrevista, os Estados Unidos estão prontos para agir sozinhos mas, naturalmente, estão cientes de que precisam do apoio da Coreia do Sul, do Japão e da neutralidade da China.
O facto é que a imprensa asiática se mostra um pouco apreensiva com esta movimentação naval americana e que, por exemplo, a edição de hoje do Macau Daily Times deu grande destaque a esta iniciativa e mostra a apreensão que está a suscitar.

domingo, 9 de abril de 2017

A ETA cedeu e a paz voltou ao País Basco

Durante mais de cinquenta anos a Euskadi Ta Askatasuna, mais conhecida pela sigla ETA, foi um símbolo das aspirações independentistas bascas, mas também foi um instrumento da luta armada e da violência no País Basco do Sul, que inclui as províncias espanholas de Alava, Biscaia, Guipúscoa e Navarra. A ETA foi fundada em 1959 e as suas acções violentas iniciaram-se em 1968, tendo-se traduzido na morte de 829 pessoas e em ferimentos em alguns milhares, para além de algumas dezenas de sequestros.
Durante a ditadura franquista, a ETA teve o apoio da população basca e algum apoio internacional, mas com a democratização e a integração europeia da Espanha, a organização foi perdendo militantes, viu muitos dos seus dirigentes serem presos e tornou-se cada dia mais fraca.
Cada vez mais isolada socialmente e mais vulnerável à pressão policial das autoridades espanholas, mas também das autoridades francesas do País Basco do Norte, em 2011 a ETA anunciou o fim das suas actividades ou, como então salientou, um cessar-fogo. Há poucas semanas , a organização anunciou que no dia 8 de Abril faria a entrega de todo o seu armamento às autoridades francesas sob a supervisão de uma Comissão Internacional de Verificação. Ontem, no início do dia e conforme fora anunciado foi entregue às autoridades judiciais uma lista com a localização dos oito depósitos de armas, situados nos Pirenéus Atlânticos, onde se encontravam 118 armas, quase três toneladas de material para fabricar explosivos, muitos detonadores e 25.700 munições. A imprensa espanhola, como por exemplo o El Mundo, deu hoje um grande destaque a este acontecimento que significa o fim da luta armada da ETA, sem quaisquer condições. Agora é o tempo da justiça, da reconciliação, da paz e da luta política democrática, em que a Espanha terá que ter a sensibilidade democrática de respeitar o espaço cultural basco, porque o nacionalismo basco é centenário e não morreu.

sábado, 8 de abril de 2017

O que fez correr Donald Trump?

Na passada terça-feira dia 4 de Abril, a pequena cidade de Khan Sheikhun, situada no noroeste da Síria e que tem estado sob o controlo de forças hostis a Bashar al-Assad, foi vítima de um ataque com armas químicas e, segundo revelaram as autoridades sanitárias turcas, as vítimas apresentavam sintomas de terem estado expostas a gás sarin. O ataque causou 86 mortos e provocou uma onda mundial de indignação. Menos de 72 horas depois, na madrugada de sexta-feira dia 7, os Estados Unidos decidiram uma acção de surpresa e, como retaliação, dispararam 59 mísseis Tomahawk sobre a base aérea de Shayrat, próximo da cidade de Homs. Depois de seis anos de guerra, foi a primeira acção directa dos americanos na Síria e significou uma mudança nas opções de Donald Trump, que sempre criticou o envolvimento americano (e a despesa) em conflitos longe da América. A Rússia e o Irão não gostaram, enquanto o Reino Unido, a França e a Turquia aplaudiram.
Ontem, durante todo o dia, as televisões portuguesas fizeram desfilar nos seus estúdios dezenas de comentadores especializados, incluindo generais, professores, politólogos, estrategistas e jornalistas. Todos muito sabedores a debitar as mais diversas hipóteses: que recomeçou a guerra fria, que foi uma humilhação para a Rússia, que a escalada do confronto pode começar, que houve um acordo secreto entre Trump e Putin, que não foi mais do que um impulso de Trump, que foi um aviso à Coreia do Norte e ao Irão, que foi um exibicionismo perante a China, que foi uma acção para recolocar a opinião pública americana ao lado de Trump e, ainda, mais algumas hipóteses. Não ouvi nenhum desses sábios olhar para a situação na lógica da manipulação da informação nos conflitos militares, um pouco na linha de acção de Joseph Goebbels, para quem uma mentira mil vezes repetida se tornava uma verdade. Foi esse tipo de manipulação que criou a mentira das armas de destruição maciça de Sadam Hussein e levou George W. Bush, Tony Blair, Aznar e Durão Barroso a darem a cara pela invasão do Iraque, onde tudo isto começou. É caso para perguntar o que fez correr Donald Trump e porque não esperou pela realização de um inquérito independente para saber o que realmente se passou em Khan Sheikhun?