domingo, 27 de maio de 2018

Macau vai ter a maior ponte do mundo

É a maior ponte do mundo, começou a ser construída em 2009, já está concluída e vai assegurar a ligação entre as três principais regiões administrativas do sul da China ou as três grandes cidades no delta do Rio das Pérolas, isto é, Hong Kong, Zhuhai e Macau. Tem cerca de 50 quilómetros de extensão e consiste numa série de três pontes suspensas e um túnel submarino de 6,7 quilómetros, além de três ilhas artificiais. Nestas ilhas haverá zona de controlo de fronteiras, parque de automóveis e áreas de lazer.
Chama-se Ponte Hong Kong-Zhuhai-Macau ou simplesmente Ponte HZM e espera-se que seja aberta ao tráfego rodoviário dentro de um mês, embora o hoje macau anuncie que a inauguração está sem prazo à vista. É um mega-projecto de engenharia e os chineses querem mostrar que também são capazes nestas áreas tecnológicas. Por agora, o problema parece ser o movimento de viaturas e a gestão do tráfego, estando estabelecidas quotas para veículos que circularão na ponte. No caso de Macau, estão autorizadas 600 quotas para veículos macaenses que circulem para Hong Kong ou Zhuhai, isto é, procura-se evitar que por um qualquer imprevisto a ponte fique congestionada por tráfego intenso e inesperado, o que significa que não vai ser possível a um qualquer cidadão macaense dizer para a família ou para os amigos: metam-se no carro. Vamos almoçar a Hong Kong.

sexta-feira, 25 de maio de 2018

A futebolização do nosso quotidiano

O futebol é uma arte e eu gosto muito desse espectáculo artístico, isto é, daquilo que se passa “dentro das quatro linhas”, onde me regalo a ver as fintas do Messi, os remates do Ronaldo ou das defesas do Casillas.
Porém, os interesses não artísticos do futebol invadiram a nossa sociedade e essa invasão é preocupante por ser um símbolo de mediocridade cultural e de retrocesso civilizacional, até porque a futebolização é particularmente activa na política e nos mass media.
A política está cada vez mais futebolizada e os pequenos políticos que querem subir nos aparelhos partidários não largam o futebol e fazem tudo o que consta na check-list do adepto, isto é, usam cachecóis, gritam, oferecem jantares aos presidentes dos clubes, sentam-se nos camarotes dos estádios e fazem-se comentadores futebolísticos. Estão em toda a parte e, muitas vezes, com absoluta falta de bom senso. Por este andar, a Assembleia da República ainda acaba por substituir os actuais grupos parlamentares  por novos grupos parlamentares em representação do Benfica, do Sporting, do Porto e de outros clubes.
Os mass media e, em especial as televisões, estão completamente futebolizados e contratam dezenas de comentadores que passam horas a fio a dizer o mesmo sobre o mundo que envolve o futebol, as contratações, as lesões, os treinos e os humores dos jogadores, mais os penaltis e os árbitros, os cartões e as agressões. É um massacre constante, a que não faltam gritos, insultos e ameaças de agressão.
Agora apareceu essa figura menor, essa espécie de Nicolas Maduro do futebol português e, sem que se perceba porquê, temos as televisões a dar horas e horas do seu tempo de antena a esta criatura menor e aos inúmeros comentadores que se atropelam à entrada das estações televisivas, muitos deles sem a menor noção do ridículo. Uma tristeza e uma lástima.

A corrupção que fez tremer a Espanha

A Audiência Nacional, que é um tribunal com jurisdição sobre todo o território e a principal instância penal espanhola, condenou ontem 29 dos 37 acusados no processo Gürtel a 351 anos de prisão. A Espanha naturalmente tremeu e muitos espanhóis ficaram em estado de choque, mas muitos outros também ficaram aliviados.
O caso Gürtel refere-se a uma rede de corrupção política ligada ao Partido Popular (PP) que era encabeçada pelo empresário Francisco Correa Sánchez, uma figura da alta sociedade de Madrid, tendo sido baptizado como Gürtel, a tradução alemã de Correa, talvez porque quando as coisas foram detectadas Francisco Correa tinha um estatuto de intocável e ninguém queria associar o seu nome a este caso.
A investigação foi iniciada em finais de 2007 e só agora houve sentença. Apurou-se que, durante muitos anos, nos municípios e comunidades autónomas governados pelo PP, eram adjudicados inúmeros serviços a empresas ligadas a Francisco Correa, a troco de subornos e presentes de elevado valor. Os lucros assim obtidos eram canalizados para contas secretas e paraísos fiscais às ordens do PP. Francisco Correa foi considerado o cabecilha deste caso e foi condenado a 51 anos de prisão, enquanto Luis Bárcenas, o ex-tesoureiro do partido, foi condenado a 33 anos de prisão e ao pagamento de uma multa superior a 44 milhões de euros, tendo a sua mulher, Rosalia Iglesias, sido condenada a uma pena de 15 anos de prisão. Ao todo, houve 29 condenações com 351 anos de cadeia. Uma bomba em Espanha!
Como hoje refere o El País, o PP foi condenado e a credibilidade de Mariano Rajoy, o líder do PP, está de rastos. Aproxima-se, portanto, mais uma crise política em Espanha, a juntar às que já por lá viviam.
Não sabemos se este caso teve ou não teve contágio em Portugal, mas ninguém tem dúvidas que muitas adjudicações por aí feitas ao longo dos anos, beneficiaram os amigos de todas as cores, por vezes escandalosamente.

quarta-feira, 23 de maio de 2018

Prémio Camões 2018 foi para Cabo Verde

O escritor cabo-verdiano Germano de Almeida foi galardoado com o Prémio Camões 2018 e o semanário Expresso das Ilhas, que se publica na cidade da Praia, destaca essa notícia na primeira página da sua edição de hoje, homenageando dessa forma o premiado.
O Prémio Camões foi instituído em 1988 pelos governos de Portugal e do Brasil para distinguir os autores que tenham contribuído para o enriquecimento do património literário e cultural da língua portuguesa. Desde então houve 13 portugueses, 12 brasileiros, 2 angolanos, 2 moçambicanos e 2 cabo-verdianos que receberam aquele prestigiado prémio e, nessa lista de 31 nomes, figuram por exemplo Miguel Torga, João Cabral de Melo Neto, Vergílio Ferreira, Jorge Amado, Mia Couto, José Saramago, Sophia de Mello Breyner, José Craveirinha, António Lobo Antunes e Manuel Alegre.
Germano de Almeida, o vencedor do Prémio Pessoa 2018, estudou Direito na Faculdade de Direito da Universidade de Lisboa e exerce a profissão de advogado na cidade do Mindelo, na ilha de S. Vicente. No campo literário a sua obra é vasta, destacando-se O testamento do Sr. Napumoceno da Silva Araújo, publicado em 1991 e que teve grande êxito internacional. É uma obra que se recomenda vivamente.
Naturalmente, que aqui ficam expressas as minhas felicitações ao autor e a minha congratulação por este prémio ter ido para Cabo Verde, a terra da sôdade, da morna, da coladera e da cachupa.

R.I.P. Júlio Pomar

Ainda se sucediam as justas declarações elogiosas sobre a vida e a obra de António Arnaut, quando fomos surpreendidos pela morte de Júlio Pomar, que nos deixou aos 92 anos de idade e era um dos mais inspirados pintores do modernismo e uma figura fundamental da arte portuguesa.
Ao longo de sete décadas de actividade não foi apenas a arte nas suas múltiplas facetas que o atraiu, pois foi também um democrata convicto e um homem de grande empenho social e político, de que resultou ter sido preso pela PIDE nos anos 1950 e ter passado quatro meses no Forte de Caxias, ao lado de Mário Soares, de quem ficou amigo.
Na sua multifacetada obra destacam-se os temas do erotismo, do fado e da tourada mas, sobretudo, os retratos, em especial os que fez de Fernando Pessoa e de Mário Soares, que figura na galeria dos Presidentes do Museu da Presidência da República. Em 2013 a sua vasta obra foi depositada no Atelier-Museu Júlio Pomar, uma iniciativa da Câmara Municipal de Lisboa, onde pode ser visitada pelo público.
O percurso artístico de Júlio Pomar e o tempo que viveu em Paris, tornaram-no um ícone da arte contemporânea portuguesa e a sua partida é um momento triste para a cultura portuguesa.
Os principais jornais portugueses prestam-lhe hoje uma justa homenagem nas suas edições, a que me associo.

segunda-feira, 21 de maio de 2018

R.I.P. António Arnaut

António Arnaut faleceu hoje em Coimbra com 82 anos de idade e com ele desaparece um homem que, como poucos, simbolizava a ética republicana, a integridade cívica e a devoção ao serviço público. Foi um dos fundadores do Partido Socialista e fez parte do pequeno núcleo de cidadãos que em 1973 esteve na reunião fundacional realizada na cidade alemã de Bad Münstereifel, nos tempos em que era precisa muita coragem para desafiar o Estado Novo.
Militou activamente na Oposição Democrática e, depois do 25 de Abril, foi deputado à Assembleia Constituinte e Ministro dos Assuntos Sociais no II Governo Constitucional presidido por Mário Soares e é considerado o criador do Serviço Nacional de Saúde, uma das mais importantes conquistas da democracia portuguesa. Depois da sua passagem pelo governo voltou à sua actividade profissional de advogado e não ficou pendurado às benesses do Estado, como tantas vezes acontece com os políticos. Escritor e poeta, tornou-se um exemplo de Cidadania e nunca abdicou da defesa da Liberdade, dos direitos sociais e do bem comum. Era presidente honorário do Partido Socialista desde 2016 e o Presidente da República tinha-o justamente agraciado com a Grã-Cruz da Ordem da Liberdade.
O exemplo de António Arnaut devia ser inspirador para os políticos portugueses e as instituições não deixarão de lhe prestar as homenagens que são devidas ao seu legado político, ao seu exemplo e à sua memória. O dia de luto nacional já anunciado pelo Presidente da República enquadra-se no sentimento de gratidão nacional a António Arnaut.

domingo, 20 de maio de 2018

A China e a sua aposta nos porta-aviões

O primeiro porta-aviões concebido e construído pela República Popular da China acaba de realizar cinco dias de provas de mar e já regressou aos estaleiros de Dalian, no nordeste da China. A notícia e a fotografia do navio apareceram nos maiores jornais chineses, como por exemplo no China Daily.
Actualmente, a Marinha chinesa apenas possui o porta-aviões Liaoning, que pertenceu à classe Kuznetsov da União Soviética e que foi adquirido em 2012, aparentemente para que os chineses pudessem aprender tudo sobre esse tipo de navios e os melhorassem, para que depois os pudessem construir, usar e e vender.
O novo porta-aviões desloca 50.000 toneladas, ainda navega sob o nome Type 001A e, segundo foi anunciado, é uma construção totalmente chinesa. Entretanto, em Xangai já está em construção um terceiro porta-aviões e os planos para construir um porta-aviões nuclear já estão em desenvolvimento.
Trata-se de mais um passo para reforçar a presença chinesa no mar da China e, também, no oceano Índico, onde os chineses já possuem uma base em Djibuti, oficialmente designada como base logística, mas também o porto de Hambantota no Sri Lanka que foi arrendado por 99 anos e o futuro uso do porto estratégico paquistanês de Gwadar, no mar Arábico, que estão a construir.
A China está assim a posicionar-se para dominar o mar da China, controlar Taiwan e disputar com a Índia o domínio do oceano Índico.

sábado, 19 de maio de 2018

Donald está a incendiar o Médio Oriente

A decisão do presidente americano de retirar os Estados Unidos do acordo sobre o nuclear iraniano e de transferir a embaixada americana de Tel-Aviv para Jerusalém, acelerou a espiral de confrontação no Médio Oriente, deteriorou a relação transatlântica e está a pôr em causa a anunciada cimeira com Kim Jong-un.
Na edição agora posta a circular, o Courrier International analisa a situação criada e dedica a capa ao Donald que classifica como le dynamiteur. De resto, são cada vez mais as grandes revistas internacionais que caricaturam o Donald e as suas constantes ameaças à paz, por paranóica obcessão ou por entender que o seu slogan America first se cumpre com os incêndios que vai ateando.
A política externa de Barack Obama é posta em causa todos os dias e agora, certamente por pressão de Israel, o Donald decidiu virar-se para o Irão e para o seu expansionismo regional, mas também para o Hezbollah e o Hamas, os históricos inimigos de Israel. Por agora, o Donald ainda não se envolveu directamente, mas já tratou de apoiar os falcões de Israel, inclusive usando o seu direito de veto no Conselho de Segurança das Nações Unidas.
A situação é preocupante e o que se espera, como aqui já foi escrito, é que os políticos europeus se saibam distanciar do Donald e façam tudo para evitar o agravamento da tensão no Médio Oriente.

A festa e a força da língua galega

No dia 17 de Maio de cada ano comemora-se nas principais cidades galegas o aniversário da publicação de Cantares Galegos, a primeira e a mais apreciada obra da escritora e poetisa galega Rosalía de Castro, que nasceu em 1837 e é considerada a fundadora da moderna literatura galega. Em 1963, quando se assinalou o 1º centenário de Cantares Galegos, a Real Academia Galega instituiu essa data como o Dia das Letras Galegas e esse dia rapidamente tornou-se num dia de celebração nacional em torno da língua e da identidade galegas.
A língua galega e a língua portuguesa são irmãs, pois nasceram do galego-português ou galaico-português que foi a língua românica falada durante a Idade Média na Galiza e no norte de Portugal. Depois adaptaram-se para norte e para sul do rio Minho.
Através das fotografias publicadas pela imprensa galega, nomeadamente no diário el Correo Gallego, pode observar-se como o tema mobiliza a população e, em especial, os mais jovens. Assim, sobretudo nas escolas, foram promovidas as mais diversas actividades desportivas, musicais, literárias e artísticas, sempre sob o tema da língua galega.
O Dia das Letras Galegas tem o seu polo dinamizador em Santiago de Compostela e mobiliza milhares de galegos sob o tema “en galego, todos os dias”. Este ano, a cidade portuguesa de Valença associou-se pela primeira vez a esta festa galega e, aproveitando a presença de milhares de galegos que atravessaram o rio Minho, também animou o seu centro histórico com música, provas gastronómicas e venda de artesanato.

sexta-feira, 18 de maio de 2018

Angola e Portugal voltam a conversar

As condições meteorológicas estiveram desfavoráveis com muito vento e com o mar um pouco encrespado, mas o temporal parece que já lá vai e, de acordo com a edição de hoje do Jornal de Angola, está confirmada uma visita oficial a Angola do primeiro-ministro português António Costa, ao mesmo tempo que se anuncia a renovação de um acordo militar entre Portugal e Angola.
Ninguém desconhece que as relações entre os dois países são muito fortes, tanto no plano histórico, como no plano cultural. Esses planos são dois parâmetros essenciais das relações luso-angolanas e os políticos de ambos os lados não podem ignorá-los sob a pressão de assuntos menores ou de interesses conjunturais. Há milhares de angolanos a viver em Portugal e há milhares de portugueses a viver em Angola. Num lado ou no outro, ambos se sentem bem e ambos se sentem em casa. E há, ainda, aqueles portugueses que gostam de Angola e aqueles angolanos que gostam de Portugal.
O encontro do presidente João Lourenço com o primeiro-ministro António Costa pode ser, e espera-se que seja, o recomeço de uma relação sustentada entre os dois países, que vá para além do interesse económico, da afinidade política ou das circunstâncias da conjuntura, mas que seja uma relação cada vez mais fortalecida pela língua comum e pelo intercâmbio cultural intenso e com dois sentidos, por exemplo no desporto, na música e nas artes em geral.
É com natural satisfação que aqui se salienta este reencontro entre os dois países, através do encontro de João Lourenço com António Costa, agora em Luanda e, proximamente, em Lisboa.

Lula da Silva já anunciou candidatura

Desde o dia 7 de Abril que o ex-presidente brasileiro Luiz Inácio Lula da Silva se encontra numa prisão de Curitiba, por ter sido condenado em segunda instância por corrupção e lavagem de dinheiro, no âmbito da Operação Lava Jato.
O assunto diz respeito aos brasileiros e ao seu sistema de Justiça, não sendo um tema para ser tratado por estrangeiros que não conhecem a realidade brasileira. Porém, é interessante saber que numa sondagem feita entre os dias 9 e 12 de Maio, se verificou que 51% dos entrevistados considera justa a prisão de Lula, mas que 38,8% consideram a detenção do ex-presidente como injusta. Outra curiosidade da sondagem é o grau de confiança dos brasileiros na sua Justiça, pois 52,8% consideram-na pouco confiável, há 36,5% que a consideram nada confiável e apenas 6,4% a considera muito confiável. Outra curiosidade, ainda, é o facto de 49,9% dos entrevistados entender que Lula da Silva não conseguirá disputa as eleições presidenciais deste ano, enquanto 40,8% entende que ele irá mesmo disputar as eleições. Temos, portanto, um Brasil muito dividido.
Neste contexto, aconteceu ontem um facto relevante, quando o jornal Le Monde, cuja seriedade, reputação e prestígio internacionais são inequívocos, abriu as suas portas a um texto do antigo presidente brasileiro e publica a sua fotografia em primeira página. Nesse texto, Lula da Silva reitera a sua intenção de se candidatar às próximas eleições presidenciais, onde continua a liderar as preferências dos brasileiros, afirmando que a sua prisão, tal como o impeachment de Dilma Rousseff, fazem parte de um plano para afastar do poder o seu partido.
Disse: “Sou candidato a presidente do Brasil, nas eleições de Outubro, porque não cometi nenhum crime e porque sei que posso fazer o país retomar o caminho da democracia e do desenvolvimento, em benefício do nosso povo” e acrescentou que “diante do desastre que se abate sobre o povo brasileiro, a minha candidatura é uma proposta de reencontro do Brasil com o caminho de inclusão social, do diálogo democrático, da soberania nacional e do crescimento económico, para a construção de um país mais justo e solidário, que volte a ser uma referência no diálogo mundial em favor da paz e da cooperação entre os povos".
A história do triplex do Guarujá está mal contada, a candidatura de Lula está anunciada e apoio do Le Monde é de peso. Veremos se avança ou se tropeça nas artimanhas e nas entre-curvas da Justiça brasileira.

terça-feira, 15 de maio de 2018

O Donald e a revolta dos palestinianos

A mudança da embaixada americana de Telavive para Jerusalém que ontem se concretizou, é uma provocação para quem quer a paz no mundo e veio romper com um consenso internacional sobre a cidade que tem um estatuto especial, porque tanto os israelitas como os palestinianos a querem para capital. A euforia tomou conta da cidade e há cartazes por todo o lado anunciando “Trump Make Israel Great”, significando que a aliança entre Donald Trump e Benjamin Netanyahu ou entre Israel e os Estados Unidos é mais forte do que nunca e, provavelmente, faz parte de uma estratégia americana de combate às influências russa e iraniana na Síria. Por isso, não são de esperar boas notícias vindas daquela região e, pelo contrário, tudo se conjuga para que haja confrontos.
A polémica decisão do Donald apenas vai ser acompanhada pela Guatemala, Paraguai e Honduras. Por outro lado, a grande festa que assinalou a inauguração da nova embaixada teve um apoio internacional mínimo e, no caso da União Europeia, o boicote foi quase unânime pois o convite americano apenas foi aceite por quatro países (Áustria, Hungria, Roménia e República Checa), porque são governados por partidos de direita ou extrema-direita e, certamente, gostam do Donald. 
A decisão de reconhecer Jerusalém como a capital de Israel foi uma afronta à Palestina e a reacção popular a esta decisão provocatória, sobretudo na faixa de Gaza, foi imediata, com dezenas de milhares de palestinianos a aproximarem-se da fronteira em protesto, lançando pedras e pneus em chamas sobre as forças militares de Israel que reagiram e mataram pelo menos 55 manifestantes e feriram cerca de dois mil, segundo relatam as agências noticiosas.
Os tempos que aí vêm são realmente muito inquietantes, porque os israelitas estão eufóricos e estão entusiasmados com o Donald. Vamos a ver se a União Europeia e a Merkel, a May e o Macron estão à altura do momento que passa.
Entretanto, saúda-se a capa do Diário de Notícias que soube seleccionar o assunto mais importante do dia, o que nem sempre acontece.

sábado, 12 de maio de 2018

Cáceres é uma cidade em euforia e festa

A Comunidade Autónoma da Extremadura espanhola está repartida pelas províncias de Cáceres a norte e Badajoz a sul, mas a sua capital encontra-se em Mérida, a antiga capital da Lusitânia.
As cidades da Extremadura possuem um valioso património histórico e arquitectónico, pelo que uma visita a estas cidades de muralhas e de cegonhas é sempre recomendada, até porque a distância a que se encontram da fronteira portuguesa não excede uma centena de quilómetros por boas estradas.
A monumental cidade de Cáceres é, simultaneamente, a sede de um município e de uma província e o seu centro histórico foi incluido em 1986 na lista do Património da Humanidade pela Unesco.
É, pois, nesta cidade que desde 1992 se realiza o Womad ou World of Music, Arts and Dance, um festival internacional que dura três ou quatro dias e que acontece em três dezenas de países e que, segundo a organização, é uma festa da diversidade cultural, da tolerância, da solidariedade, do respeito, do entendimento e da explosão da criatividade. O Womad Cáceres 2018 decorre desde o dia 10 de Maio e nele participam 32 artistas de 11 países, embora as iniciativas do festival se estendam para além da música. A alargada e atraente Plaza Mayor da monumental cidade de Cáceres é o centro do festival e, como se vê na fotografia hoje publicada pela edição estremenha do jornal el Periódico, transforma-se e fica absolutamente ocupada pela multidão.
Naturalmente, quem já passeou por aquela praça e se sentou nas suas esplanadas a tomar uma cerveja fresca em dia de grande calor, fica assustado com tanta gente e tanta euforia. Por isso, atrevo-me a recomendar uma visita a Cáceres e outras cidades estremenhas como Mérida e Trujillo, mas numa altura em que não haja o Womad e as suas multidões...

A China e o seu apetite pela ex-lusa EDP

A EDP – Energias de Portugal é uma grande empresa do sector energético com actividade ao nível da produção, distribuição e comercialização de electricidade, e comercialização  de gás que nasceu em 1976 como resultado da fusão de 14 sociedades exploradoras do serviço público de produção, transporte e distribuição de energia eléctrica que tinham sido nacionalizadas no dia 15 de Abril de 1975.
A empresa cresceu, diversificou actividades e em 1996 iniciou um processo de internacionalização que teve como contrapartida a privatização de uma parte do seu capital, numa altura em que as privatizações estavam na moda. Foram então alienados 30% do capital da empresa numa operação em que a procura superou a oferta em mais de trinta vezes e que foi considerada como um sucesso do chamado capitalismo popular, pois cerca de 800 mil portugueses tornaram-se accionistas da EDP. Depois, sucedeu-se a privatização de outras fatias do capital social, embora se mantivesse o controlo do Estado até que, em 2011, os direitos especiais do Estado ou golden share  foram eliminados por imposição da troika que por aí andou.
Nessa altura, uma empresa estatal chinesa - China Three Gorges Corporation  - assegurou a maioria do capital da sociedade, na qual cerca de 40% são controlados por estados ou capitais estrangeiros, designadamente dos Estados Unidos, de Espanha, Holanda, Argélia, Qatar, Abu Dhabi e Noruega.
A EDP é um nó na garganta para muitos portugueses que não compreendem como é possível que a maior empresa portuguesa possa estar nas mãos e servir interesses do capital estrangeiro, gerando enormes lucros para os seus accionistas chineses, americanos, espanhóis e outros.
Agora apareceu um outro grupo chinês a querer comprar toda a EDP e fez uma (quase) irrecusável Oferta Pública de Aquisição (OPA) de 7.700 milhões de euros, que não é mais do que uma verdadeira aposta estratégica da China na "conquista" da Europa e não no desenvolvimento do nosso pequeno Portugal do Mexia, do Catroga e dos amigos que estão com eles nos cadeirões da EDP.
O curioso é que esta OPA é mais noticiada em Espanha, sobretudo nos jornais das Astúrias onde a EDP tem interesses, do que no nosso Portugal.

sexta-feira, 11 de maio de 2018

Ainda há quem possa confiar no Donald?

O Prémio Internacional Carlos Magno ou Internationaler Karlspreis é atribuido anualmente pela cidade de Aachen, na Alemanha, para distinguir personalidades que se tenham destacado pelo seu contributo para a unidade e coesão da Europa. Este ano o prémio foi atribuído ao presidente francês Emmanuel Macron e deu origem a importantes declarações, quer da chanceler alemã que esteve presente na cerimónia, quer do premiado.
Os jornais internacionais de referência, como o El País, destacaram as declarações produzidas que condenaram vivamente a retirada de Donald Trump do acordo nuclear com o Irão e que, dessa forma, faz aumentar a tensão no Médio Oriente e o risco de sérios confrontos entre Israel e o Irão, como já se começou a verificar.
Disse Angela Merkel que “há conflitos às portas da Europa e o tempo em que podíamos confiar nos Estados Unidos acabou”, enquanto Emmanuel Macron confirmou a mesma ideia e disse que “algumas potências decidiram quebrar a sua palavra” e “não podemos deixar que outros decidam por nós”.
Desde que Trump assumiu a presidência, os Estados Unidos têm dado fortes contributos para a destabilização mundial com a declaração de que a NATO era obsoleta, com a teimosia da construção de um muro na fronteira com o México, com a saída do acordo de Paris, com as suas ameaças comerciais proteccionistas e outras arrogâncias de semelhante gravidade. Os líderes europeus parece que só agora chegaram à conclusão de que o paradigma atlântico que prevaleceu desde a 2ª Guerra Mundial e que unia estrategicamente a Europa e os Estados Unidos, já não funciona na actualidade. Afinal, as sucessivas visitas de Macron, de Merkel e de outros líderes aos Estados Unidos, apenas serviram para verificar aquilo que já se sabia, isto é, que o Donald é um irresponsável em que não se pode confiar.