sexta-feira, 19 de janeiro de 2018

A conservação do urso pardo cantábrico

Os jornais cantábricos deram hoje a notícia que o urso pardo cantábrico Tola foi encontrado morto no cercado de Santo Adriano, próximo de Oviedo, anunciando que o paraíso natural perdera um ícone. Tola tinha 29 anos de idade e já tinha ultrapassado a esperança média de vida da sua espécie que é de cerca de 20 a 25 anos.
O jornal La Voz de Avilés conta a história de um caçador furtivo que em 1989 matou uma ursa nas montanhas asturianas e capturou as duas crias que a acompanhavam. Pouco depois esse caçador foi detido e as crias foram recuperadas, mas não puderam ser reintroduzidas na natureza. Foram baptizadas como Tola e Paca, um macho e uma fêmea, tendo-se tornado no símbolo da luta pela conservação do urso pardo cantábrico, depois de em 1996 terem passado a viver em cativeiro no cercado de Santo Adriano, especialmente preparado para as receber. Como reconhece o Ayuntamiento de Santo Adriano, Tola e Paca tornaram-se uma atracção para o turismo e para a economia local.
O urso pardo cantábrico é o maior animal terrestre em estado selvagem da fauna ibérica e tem o seu principal habitat no Principado das Astúrias e uma população estimada em duas centenas de exemplares, tendo um peso que varia entre 180 kg para os machos e 100 a 140 kg para as fêmeas.
O seu estudo e monitorização têm sido desenvolvidos pela Fundación Oso de Asturias (FOA) que é uma associação cultural privada que tem por objectivo a conservação do urso pardo cantábrico.

quinta-feira, 18 de janeiro de 2018

Depois da estagnação é a retoma francesa

A Europa está a passar por uma fase de algum entusiasmo económico e a recuperação é confirmada por todos os indicadores, sobretudo os que se referem ao crescimento e ao emprego, embora haja muitas vozes que ainda consideram a retoma muito frágil e com pouca sustentação. Na edição que hoje foi posta a circular, a revista semanal francesa L’Express dedica uma alargada análise à economia francesa e também se mostra algo optimista ao escolher para título de capa a frase:
C’est la reprise oui, mais...
As reticências que aparecem no fim da frase mostram, contudo, que a retoma sustentada ainda não é um dado adquirido, apesar da revista considerar que Emmanuel Macron recebeu este “presente do céu” que é a retoma europeia, que se sucede a quatro anos de estagnação ou mesmo de recessão. A revista analisa o panorama da recuperação francesa que se está a verificar na indústria, na distribuição e na construção, concluindo que o crescimento ainda é frágil e que não está a ser criado emprego. É exactamente o problema do desemprego que se situa acima dos 9%, mas também o crescimento da dívida que quase atinge os 100% do produto nacional e o continuado défice orçamental acima dos 3%, que constituem algumas das questões mais precupantes da economia francesa.
Os últimos anos da gestão de François Hollande coincidiram com uma acentuada crise e a economia francesa teve um crescimento muito débil e a ilustração da revista faz a caricatura dessa situação ao mostrar o simbólico galo amparado num par de muletas e com uma perna envolvida em ligaduras.  Porém, a revista também chama a atenção para os pontos fortes e fracos da economia francesa, as suas oportunidades e as suas ameaças, isto é, faz a chamada análise SWOT da economia francesa. E os franceses parecem confiantes, embora muito menos do que os portugueses que estão a entrar mais uma vez na euforia de comprar carros, de viajar e de se endividarem. 

quarta-feira, 17 de janeiro de 2018

Uma tapeçaria que nos ensina a História

O presidente francês Emmanuel Macron estará amanhã em Londres em  visita oficial e espera-se que anuncie o empréstimo da Tapeçaria de Bayeux para ser exposta no Reino Unido. Se isso acontecer, será a primeira vez que essa famosa tapeçaria que conta a história da batalha de Hastings sairá de França.
A batalha de Hastings travou-se no dia 14 de Outubro de 1066 e opôs Guilherme da Normandia ao rei anglo-saxão Harald II ou a infantaria inglesa à cavalaria normanda. A batalha durou quase um dia inteiro em vez das habituais duas ou três horas e veio a decidir-se pelo uso do arco e flecha no momento decisivo da batalha. Segundo referiu um especialista, a batalha de Hastings assinalou a última vez que a Grã-Bretanha foi conquistada, o que nunca voltou a acontecer depois, nem com a Invencível Armada de Filipe II de Espanha, nem com o poderio de Napoleão, nem com os bombardeamentos aéreos e as ameaças de Hitler.
Muitos dos pormenores da batalha de Hastings são conhecidos através da grande Tapeçaria de Bayeux que foi encomendada dez anos depois da batalha pelo bispo de Bayeux, meio-irmão de Guilherme da Normandia, o vencedor da batalha.
A tapeçaria bordada no século XI é uma longa sucessão de quadros com meio metro de altura por 70 metros de comprimento, com desenhos e legendas complementares, que integra a exposição permanente do museu da cidade normanda de Bayeux, de onde só saiu muito raramente e nunca para o estrangeiro. A hipótese da quase milenar Tapeçaria de Bayeux sair pela primeira vez de território francês, que o diário The Times hoje pré-anunciou, é um acontecimento cultural importantíssimo no quadro das relações entre a França e o Reino Unido..

O polémico Dia Nacional da Austrália

A Austrália celebra o seu Dia Nacional no dia 26 de Janeiro e, como de costume, esperam-se grandes festejos por todo o país para evocar a chegada do comandante Arthur Phillip a Botany Bay e Sydney Cove, na costa sueste australiana, no ano de 1788. Essa data foi ontem analisada e comentada com grande destaque na primeira página do jornal The Daily Telegraph, porque é muito polémica e muito criticada pelos nativos australianos, pois há o entendimento que deveria ser alterada e que o dia 26 de Janeiro deveria ser designado como o Dia do Genocídio ou o Dia da Invasão, pois foi então que começou uma brutal perseguição aos aborígenes que quase levou à sua extinção.
E o que nos diz a História? Durante a sua primeira viagem pelos mares do sul em busca da Terra Australis Incognita de que os europeus apenas tinham uma vaga informação por via portuguesa e holandesa, o comandante James Cook e o seu HMS Endeavour chegaram em 1770 à costa leste da Austrália, tendo baptizado essa região como a Nova Gales do Sul e feito o reconhecimento de uma baía que baptizaram como Botany Bay.
Cerca de duas dezenas de anos depois, uma expedição inglesa de 11 navios comandada por Arthur Phillip, um oficial inglês que servira na Marinha Portuguesa, chegou a essa mesma baía mas verificou que  Sydney Cove, situada algumas milhas mais a norte, tinha melhores condições. Decidiu desembarcar e aí fundou o primeiro estabelecimento europeu na Austrália – uma colónia penal com 568 homens e 191 mulheres condenados, com 13 crianças, além de 206 marinheiros com 26 mulheres e 13 crianças e, ainda, 20 oficiais, totalizando 1037 pessoas.
Assim nasceu a Austrália e assim começou a sua interessante história que não é nada exemplar no que respeita à forma como tratou e quase exterminou os aborígenes australianos.

segunda-feira, 15 de janeiro de 2018

A segurança aérea e a ajuda da sorte

Foi anunciado pela Aviation Safety Network que o ano de 2017 foi o ano mais seguro para o transporte aéreo mundial desde que há estatísticas sobre acidentes aéreos, isto é, desde 1946. Trata-se de uma notícia muito positiva, sobretudo quando nos informam que no ano passado se realizaram 36,8 milhões de voos comerciais civis e que apenas aconteceram 10 acidentes em que morreram 44 pessoas.
É surpreendente e fantástica esta notícia!
Estes resultados mostram que os aviões comerciais são muito seguros, que são pilotados por profissionais qualificados e que a gestão e controlo da actividade aérea são muito eficientes a nível global. Dessa forma, os índices de confiança dos passageiros são reforçados e só se lamenta que, por razões de segurança, sejam tão cansativas as formalidades a que os passageiros são sujeitos nos aeroportos. Porém, nas justificações apontadas para estes extraordinários padrões de segurança, também é apontada a sorte e, de facto, o que aconteceu no passado sábado no aeroporto de Trabzon, na Turquia, confirma que a sorte também ajuda nestas coisas da segurança aérea.
Um avião Boeing 737-800 da Pegasus Airlines proveniente de Ancara tinha acabado de aterrar em Trabzon mas saiu da pista, entrou na ravina que a suporta e imobilizou-se a meio da encosta, a poucos metros do mar Negro. Basta olhar para a fotografia para concluir que o normal, segundo as leis da Física, era que o avião com cerca de 50 toneladas de peso, deslizasse até ao mar. Mas a sorte segurou-o a meio da ravina e todos os passageiros e tripulantes foram retirados em segurança. Foi mesmo um evidente caso de sorte. As imagens deste caso deram a volta ao mundo e muitos jornais publicaram-nas, exactamente como um caso de sorte. Assim aconteceu hoje na edição do diário londrino The Times.

sábado, 13 de janeiro de 2018

Donald Trump um incendiador do mundo

Dentro de dias cumpre-se o primeiro ano do mandato de Donald Trump como Presidente dos Estados Unidos e diversas revistas internacionais já começaram a fazer balanços sobre o year one, ilustrando as suas edições com sugestivos cartoons. A revista Time é uma dessas revistas.
Donald Trump, ou simplesmente Donald, é o 45º presidente dos Estados Unidos. Foi eleito com menos 2,8 milhões de votos do que Hillary Clinton e foi a quarta vez na história americana que um presidente foi eleito com menos votos populares que o seu adversário. Porém, o Donald teve a maioria no colégio eleitoral e, por isso, foi nomeado para ocupar a presidência. Assim, no dia 20 de Janeiro de 2017 e com 70 anos de idade, o Donald tornou-se a pessoa mais velha a assumir a presidência dos Estados Unidos, levando consigo para a Casa Branca a maior derrota nas urnas que um presidente eleito alguma vez tivera. Porém, se essas imperfeições eleitorais fragilizaram desde o início o mandato de Donald, o tempo fez emergir outras fragilidades bem piores. No plano interno as polémicas têm-se sucedido na política, nos negócios, nas relações sociais e no seu assumido comportamento sexista e xenófobo, mas tem sido sobretudo na política internacional que o Donald se tem destacado pela negativa, ao levar por diante os lemas da sua campanha eleitoral, isto é, Make America Great Again e America First.
Como a capa da revista Time sugere, o Donald tem incendiado o mundo, não só na forma como tem conduzido a conflitualidade na península coreana ou no reconhecimento de Jerusalém como capital da Palestina, mas também na forma como recusou os acordos de Paris, como tem enfrentado a União Europeia e o financiamento da NATO, como tem apoiado as monarquias mais retrógradas do Golfo e como tem hostilizado os mexicanos, os chamados hispânicos e, de uma forma geral, os emigrantes.
Após um ano de mandato, a arrogância e a ignorância do Donald fizeram aumentar a insegurança e a incerteza no mundo. Ele é realmente um incendiador.

sexta-feira, 12 de janeiro de 2018

A Argélia é uma bomba adormecida

Na margem sul do Mediterrâneo situa-se a República Argelina Democrática e Popular com mais de dois milhões de km2 e mais de 40 milhões de habitantes. A sua capital é a cidade de Argel que fica aqui bem perto, a cerca de 1000 km de Lisboa, a 400 km de Valência e a 750 km de Marselha. Por isso, tudo o que se passa na Argélia e de uma forma mais geral no Magrebe, não nos pode deixar indiferentes.
A Argélia foi administrada pela França desde 1830, mas a partir de 1954 iniciou uma luta armada conduzida pela sua Frente de Libertação Nacional, que foi muito violenta e que terminou em 1962 com a independência do país.
Apesar da presença colonial francesa, o islamismo é a religião predominante do país e as línguas oficiais são o árabe e o berbere, ambos com algumas influências francesas. Nesse quadro religioso e linguístico, a conflitualidade entre grupos é muito grande e em 1991, na sequência da anulação das eleições que tinham sido vencidas pela Frente de Salvação Islâmica (FIS), teve início um confronto entre o governo e alguns grupos rebeldes islâmicos que ficou conhecido como a guerra civil argelina, que se prolongou até 2002 e que se terá traduzido em mais de 150 mil mortes.
Entretanto, em 1999 foi eleito para presidente Abdelaziz Bouteflika, que tem sido sucessivamente reeleito até agora, o que muito tem contribuido para a estabilidade do país.
A revista semanal francesa Valeurs dedica a sua última edição à preocupante “bomba argelina”, porque qualquer turbulência no país terá um enorme impacto em França mas também na Europa, com mais emigração e mais agitação nas suas periferias urbanas. O cenário de turbulência é uma realidade a que os estrategas terão que estar bem atentos. Além disso, o potencial militar argelino é moderno e significativo, o que também preocupa os governos da margem norte do Mediterrâneo, sobretudo se a orientação política argelina não conseguir conviver com o radicalismo islâmico que sempre existiu no seu território.
“La bombe algérienne” é, realmente, uma ameaça à estabilidade do Mediterrâneo Ocidental como sugere a revista francesa.

quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

O incerto futuro do navio “Mestre Simão”

No passado sábado, dia 6 de Janeiro, quando entrava no porto interior da Madalena, o navio Mestre Simão que fazia a ligação entre a ilha do Faial e a ilha do Pico terá sido arrastado por uma onda desencontrada, terá ficado sem motores e com o leme bloqueado e, rapidamente, foi arrastado para as rochas da parte sul da bacia de manobra do porto, junto à piscina municipal. Não há memória de isto alguma vez ter acontecido com embarcações bem menores e com temporais bem maiores.
Os 61 passageiros e os 9 tripulantes foram evacuados para uma balsa de salvação em condições de mar adversas mas que decorreu com grande normalidade, aparentemente devido à competência com que a tripulação actuou. Após as operações de resgate das 70 pessoas embarcadas, a preocupação das autoridades centrou-se na contenção de cerca de 20 toneladas de combustível, tendo sido colocadas barreiras de contenção para controlar potenciais situações de derrame de hidrocarbonetos.
Três dias depois, o jornal terceirense Diário Insular referiu-se ao acidente e escolheu como título da sua reportagem a frase futuro incerto, o que deixa no ar a hipótese de não ser possível salvar o navio, apesar de se encontrar relativamente protegido pela bacia de manobra do porto da Madalena. Entretanto, ainda decorre o inquérito determinado pelas autoridades para perceber o que se passou, mas o navio parece estar bem agarrado à aguçada rocha de lava e daí que os “curiosos”, que sempre dão doutas opiniões nestes casos, duvidem da sua salvação.
O Mestre Simão entrou ao serviço em 2014 e tem capacidade para transportar 344 passageiros e 8 viaturas, mas já há quem fale na “última viagem do Mestre Simão”.
O navio Mestre Simão tal como o seu irmão gémeo Gilberto Mariano, são navios modernos e confortáveis que ligam as ilhas do grupo central dos Açores e que substituiram as antigas lanchas do Pico que desafiaram o “mau tempo no Canal”, que marcaram gerações que atravessaram o canal com ou sem temporal e que continuam a ser um símbolo da identidade cultural da ilha do Pico.

terça-feira, 9 de janeiro de 2018

A época da lampreia já começou

A época da lampreia está a começar e os muitos apreciadores desta requintada iguaria já estarão a organizar as suas incursões aos mais afamados restaurantes que incluem este pitéu nas suas ementas, sobretudo em Lisboa e no Porto. É um ritual que decorre de finais de Janeiro até meados de Abril, ao qual não me associo, mas que entusiasma os mais exigentes gastrónomos ou, por outras palavras, é um ritual que desperta amores e ódios de semelhante intensidade.
De acordo com o meu amigo Google, as lampreias são uma espécie de ciclóstomos de água doce, com forma de enguia mas sem maxilas, pertencentes à família Petromyzontidae, mas de facto são um bicho muito feio e muito esquisito. Vivem no mar mas desovam nos rios e é aí que são capturadas.
A lampreia é muito apreciada no sul da Europa, sobretudo no noroeste da península Ibérica, isto é, na Galiza e no Minho, sendo confeccionada de diferentes formas, mas domina o arroz de lampreia, muito semelhante ao arroz de cabidela, a lampreia à bordalesa, a lampreia assada no espeto e a lampreia de escabeche mas, pela sua raridade, é sempre vendida a preços muito elevados.
Hoje o diário el Correo Gallego de Santiago de Compostela destaca com uma fotografia na sua primeira página a captura das primeiras lampreias do ano no Ulla, o rio que separa as províncias da Corunha e Pontevedra e que é o segundo rio mais importante do noroeste ibérico, depois do rio Minho. As duas lampreias capturadas no rio Ulla pesavam 800 e 600 gramas, foram vendidas por 150 euros por unidade e, segundo refere o jornal, foram compradas pelo gerente dos restaurantes Flavia e Santiaguiño!
Porém, a lampreia do rio Minho é considerada a melhor do mundo, sobretudo a que é capturada em São Pedro da Torre e Cristelo Côvo, já próximo de Valença. Que os interessados não percam esta iguaria, mas que preparem as carteiras...

domingo, 7 de janeiro de 2018

A brutalidade do frio em Nova Iorque

Aproximava-se o Natal e o meu amigo JBM tratou de preparar uma grande viagem familiar até aos Estados Unidos. No dia previamente escolhido dirigiu-se ao aeroporto da Portela, cumpriu todas as formalidades no check-in e no controlo de passaportes, foi revistado pela segurança, fez o scan das bagagens e, a seguir, esperou na sala de embarque.
Depois, entrou num grande avião, atravessou o Atlântico a 30 mil pés de altitude e a 900 quilómetros por hora e desembarcou no JFK. Estava em Nova Iorque. Tinha a Big Apple ao seu dispor.
As expectativas eram altas pela qualidade e diversidade cultural da oferta nova-iorquina em espectáculos, teatros, museus, exposições, restaurantes, lojas e jardins. Tudo ali à mão em Manhatan, na Broadway, em Times Square, no Central Park e na 42th Street. Até que a neve, a chuva e o frio apareceram.
Primeiro a intempérie surgiu de uma forma suportável e muito própria daquelas latitudes, mas depois tornou-se brutal, como hoje a classificou o Newsday, o principal diário de Long Island. As temperaturas do ar chegaram aos 20 graus Celsius negativos e têm-se mantido abaixo dos 10 graus Celsius negativos. Parecia o Alaska e o jornal escreveu: Brutal cold.
A um homem que bem conhece as tempestades marítimas atlânticas, a dureza dos calores tropicais e o sufoco das matas africanas, faltava esta experiência extrema. Agora ao JBM só fica a faltar uma escalada do Everest ou uma participação num Paris-Dakar para ser um vencedor de desafios difíceis.

sábado, 6 de janeiro de 2018

A tradição da Cabalgata de Reyes Magos

Na tarde de ontem, dia 5 de Janeiro, a maioria das cidades espanholas assistiu a um grandioso desfile com alguns vistosos carros alegóricos, que é conhecido como a Cabalgata de Reyes Magos.
Trata-se de uma tradição espanhola que parece ter nascido em finais do século XIX e que não é exclusiva das cidades do país vizinho, pois também acontece em algumas cidades polacas, checas, mexicanas e, segundo consta, até na vila de Monção no norte de Portugal.
O desfile evoca a tradição cristã, segundo a qual os três Reis Magos – Belchior, Gaspar e Baltazar – vieram do Oriente para visitar o “rei dos Judeus” que acabara de nascer em Belém, na província romana da Judeia, para o adorar e para lhe entregar presentes. Nesta moderna versão da Natividade, os três Reis Magos “entram” na cidade em carros ricamente decorados, rodeados pelos seus pajens que distribuem pequenos presentes às crianças, sobretudo muitos quilos de caramelos, mas também alegria, cor, ilusão e magia. Porém, para além do seu significado simbólico, a cabalgata também é um grande espectáculo visual, que não difere muito dos desfiles carnavalescos.
Este dia 5 de Janeiro e este ritual na véspera do Dia de Reis são muito apreciados em Espanha e a população vem para a rua para acompanhar o festivo cortejo. Hoje, os jornais espanhóis escolheram imagens da Cabalgata de Reys Magos para ilustrar as capas das suas edições, assim acontecendo com o diário El Pueblo de Ceuta, em que se vê uma multidão na rua e se destaca que "a magia dos Reis Magos se impôs à ameaça da chuva”.

sexta-feira, 5 de janeiro de 2018

Boston até parece uma cidade polar

Aqui, neste canto ocidental da Europa, temos um certo privilégio meteorológico, pois não temos invernos muito rigorosos. Nas mesmas latitudes, mas do outro lado do Atlântico, a corrente fria do Lavrador produz efeitos bem mais severos e, quando ocorrem certos fenómenos meteorológicos, a situação agrava-se. Foi o que aconteceu nos últimos dias quando uma tempestade a que foi dado o nome de Grayson se aproximou da costa oriental dos Estados Unidos levando consigo ventos ciclónicos, frio, neve, gelo e inundações, que já afectaram todo o litoral americano desde o Massachusetts à Florida. Em Boston as águas da bacia portuária congelaram como mostra a imagem de capa do Boston Herald e já foram utilizados navios quebra-gelos para permitir o movimento portuário. Tem sido um caso sério e o próprio título de primeira página do jornal é esclarecedor: ICE AGE.
O estado e a cidade de Nova Iorque estão cobertos de neve e gelo e as temperaturas oscilam entre os 10 e os 20 graus Celsius negativos. Até na Florida se têm sentido os efeitos deste fenómeno, tendo nevado na cidade de Tallahassee, a sua capital, o que já não acontecia desde 1989.
Os efeitos da tempestade Grayson, que os meteorologistas classificaram como bomb cyclone, têm sido devastadores, pois já causaram mortes, cortaram o abastecimento de energia em muitas áreas residenciais, levaram ao encerramento de escolas e de serviços públicos, provocaram o caos nas estradas, cancelaram alguns milhares de voos e afectaram muitas actividades económicas em todos os estados da costa leste americana. Porém, a imprensa tem destacado esta tempestade e publicado inúmeras fotografias da neve e do gelo nas grandes cidades do noroeste dos Estados Unidos, sobretudo Boston e Nova Iorque, onde as ruas estão cobertas por espessos mantos de neve e o gelo se acumula na via pública.

quinta-feira, 4 de janeiro de 2018

A turbulência que está a ameaçar o Irão

Desde há alguns dias que nos estão a chegar imagens de grandes manifestações populares e de confrontos de rua em várias cidades do Irão e, ao contrário do Donald que se mostra eufórico e que tratou logo de afirmar que “os regimes opressores não duram para sempre”, eu fico muito apreensivo. Quando os americanos e os seus amigos se atiraram aos regimes de Saddam Hussein e de Muammar Kadafi, exactamente porque eram opressores e constituiam um perigo para o mundo, bem sabemos o que daí resultou. Na Síria o resultado acabou por não ser muito diferente. O  facto é que as “primaveras árabes” e as “revoluções islâmicas” têm dado em tragédia sempre que os americanos e as suas coligações nelas se envolvem com dinheiro, serviços secretos ou aviões. Por isso, era muito desejável que o Donald estivesse sossegado, até porque os sinais que nos chegam do Irão são muito inquietantes. Eles que resolvam o seu problema.
Certamente, a principal causa do descontentamento popular nas cidades iranianas é a crise económica, com o desemprego, o aumento do custo de vida e a corrupção, mas também com o dispendioso envolvimento iraniano no apoio ao regime sírio de Assad, às forças do Hezbollh libanês, aos xiitas do Bahrein e aos hutis do Iémen. Esse descontentamento está, naturalmente, a ser manipulado interna e externamente contra o moderado Presidente Hassan Rohani, um académico que estudou na Escócia e que fala inglês, alemão, francês, russo e árabe.
Internamente, os ultraconservadores do regime, que estão na oposição, não toleram a postura ocidentalizada de Rohani e querem afastá-lo do poder, enquanto externamente haverá interesses americanos, israelitas e sauditas que, invocando a repressão violenta do regime iraniano, que é o poder regional dominante e o maior adversário de Israel, parecem apostar no seu enfraquecimento. Rohani é, por isso, um alvo para todos.
O facto mais preocupante é que o Irão, que se tornou uma potência central no xadrez do Médio Oriente, está confrontado com uma situação que pode tomar proporções internacionais, sobretudo se os líderes do tipo Donald se quiserem intrometer. Não sei o que se passa no Irão, mas sei o que se passou com as intromissões americanas e as suas coligações no Iraque, na Líbia e na Síria. Hoje o diário francês Libération analisa o problema do Irão e, com a propósito, fala no despertar do medo.

terça-feira, 2 de janeiro de 2018

A França aspira ser um árbitro global

O diário parisiense Le Figaro, que é um dos maiores jornais franceses e que se publica desde 1826, dedica a sua primeira edição do novo ano de 2018 às grandes questões da República Francesa e ao seu jovem Presidente.
No plano interno o jornal ressalta a necessidade do cumprimento das promessas eleitorais do Presidente Emmanuel Macron e a recomposição dos aparelhos partidários que ele próprio desbaratou em Maio de 2017, quando venceu as eleições presidenciais francesas com 66% dos votos. Além disso, o jornal destaca as reformas prometidas, o emprego, a economia e a justiça, a imigração ilegal e a ameaça do terrorismo islâmico como desafios a que o Presidente francês terá que dar respostas. 
No plano externo, o jornal recorda a grande vontade, ou até mesmo a ansiedade, com que Macron procura um papel mais influente da França na cena internacional e a fotomontagem que ilustra a capa da edição do Le Figaro é expressiva, ao colocar Emmanuel Macron ao lado, ou até mesmo à frente, de Donald Trump, Vladimir Putin, Angela Merkel e Kim Jong-un.
Numa Europa muito perturbada e muito dividida, onde a chanceler Merkel já perdeu o fulgor de outros tempos, o presidente francês procura maior protagonismo para o seu país e para si próprio. Por outro lado, também intervém no plano global e na renascida rivalidade entre russos e americanos que se vai acentuando, ao mesmo tempo que negoceia os produtos da sua poderosa indústria militar “com Deus e com o Diabo”. 
A França e o Presidente Macron aspiram a uma posição de árbitro, nomeadamente no apaziguamento da Coreia do Norte, no problema do futuro de Jerusalém, no complexo conflito do Médio Oriente ou na defesa dos Acordos de Paris para conter o aquecimento global.
C'est la France qui veut se lever! O jovem aspirante Macron quer mesmo ser promovido.

segunda-feira, 1 de janeiro de 2018

As festas da chegada do novo ano de 2018

Os festejos alusivos à chegada de um novo ano realizam-se por todo o mundo e uma das suas expressões mais apreciadas é o fogo-de-artifício, que se tornou um espectáculo urbano que atrai multidões de residentes e é um cartaz turístico ao gosto dos visitantes, isto é, o fim do ano diverte e anima muita gente e dinamiza a economia das cidades.
A passagem do ano tornou-se uma grande indústria e as televisões não deixam de o mostrar quase sempre da mesma maneira e, este ano, não foi diferente. Começaram por mostrar os fogos-de-artifício exibidos em Auckland e, depois, o habitual espectáculo de Sydney à vista da Sydney Opera House e da Sydney Harbour Bridge. Algumas horas depois os canais televisivos destacaram as imagens da passagem do ano no Dubai, em Moscovo, Atenas, Berlim, Barcelona, Paris e em Londres, até que chegou a hora de nos oferecerem as imagens do fogo-de-artifício na baía do Funchal, no Porto e em Lisboa.
Esta manhã a imprensa internacional destacou nas suas primeiras páginas algumas imagens dos festejos, sobretudo em Sydney e no Dubai. Porém, a imprensa brasileira escolheu expressivas imagens da passagem do ano no Rio de Janeiro, em que se destaca o Cristo Redentor iluminado no Morro do Corcovado. Segundo o jornal O Globo, a praia da Copacabana teve a maior enchente da história da cidade com quase 3 milhões de cariocas e turistas a assistir à queima dos fogos, que durou 17 minutos e que foi a maior alguma vez acontecida na cidade. Apesar dos poucos casos de violência que se verificaram, a multidão pediu mais segurança, mais emprego e o fim da corrupção, que foram reivindicações que o jornal O Globo tratou com o título "reconstrução".